PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO

INAUGURAÇÃO EM 16 DEZ 2017

ESCULTURAS

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UM ENGENHEIRO-ARQUITETO

E MUITOS ARTÍFICES

A VIRADA DO SÉCULO NA

VILA DE SÃO PAULO DE PIRATININGA

A virada do século XIX para o século XX trouxe para a acanhada Vila de São Paulo de Piratininga ares de modernidade que impulsionaram seu desenvolvimento econômico ao ponto de tornarem a terra da garoa numa das maiores cidades do mundo.

Nesse contexto, destaca-se a transição da monarquia de base escravocrata para a república baseada no trabalho assalariado, que estimulou a vinda para a cidade de diversas ondas migratórias, as quais trouxeram consigo não apenas recursos financeiros, mas também mão-de-obra especializada.

De início, essa nova força de trabalho é ocupada prevalentemente nas plantações de café para, aos poucos, ser empregada na florescente indústria que viria a se tornar a verdadeira vocação do Estado de São Paulo e, em particular, de sua capital.

Esse processo estimula os anseios da emergente burguesia da época por uma cidade de concepção europeia, que se materializa pouco a pouco nas primeiras décadas do novo século em edifícios públicos, residências, parques, viadutos e toda sorte de intervenções urbanísticas.

Figura chave a liderar essa transformação, o escritório do arquiteto-engenheiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo é responsável por grande parte dessas obras, fazendo-se valer de pessoal altamente qualificado e de apurado senso artístico, entre pintores, escultores, decoradores, entalhados e outros artífices cuidadosamente garimpados nessa massa migratória, em que se destacam os inúmeros italianos que fizeram de São Paulo a maior cidade italiana fora de seu país.

Entre suas obras, destaca-se a construção do Teatro Municipal, cujo projeto pertencia a Claudio Rossi, arquiteto e cenógrafo natural de Capri, paradisíaca ilha localizada no sul da Itália, e com desenhos de Domiziano Rossi, outro italiano e arquiteto, natural de Gênova.

A construção do teatro de óperas no alto do Morro do Chá, como era conhecida a área ocupada pela chácara da Baronesa de Itu, onde existiam plantações da erva, marca a expansão do centro histórico para além do Ribeirão do Anhangabaú, iniciada com a construção de um viaduto (do Chá) cerca de duas décadas antes.

O projeto, vinculado à urbanização do Vale do Anhangabaú, previa que toda a área lateral do edifício, voltada para o vale, fosse ocupada por uma grande esplanada, construída na encosta do morro e pensada para ser uma extensão natural do teatro.

Até a inauguração do teatro, em 1911, a área escarpada que deu lugar à praça, que passou a ser chamada de Esplanada do Teatro, era ocupada por um casario colonial disposto de maneira desorganizada, tal qual um cortiço.

Antonio Carlos Gomes

(Campinas, 1836 – Belém, 1896)

O sucesso de “O Guarani” repete-se no Rio de Janeiro, por ocasião das festividades de comemoração do aniversário do imperador, em 2 de dezembro de 1870, levando o compositor a grande emoção e consagração.

Em 1871, retorna a Milão, onde se casa e desenvolve extensa obra que inclui as composições Fosca (1873), Salvador Rosa (1874) e Maria Tudor (1879).

A partir de 1882, passa a viver entre a Itália e o Brasil, onde, em 1887, apresenta a peça “Lo Schiavo”, em homenagem à Princesa Isabel.

Com a proclamação da república, perde o apoio dos governantes e retorna a Milão, onde estreia a peça “O Condor” (1891).

Doente e em dificuldades financeiras, compõe seu último trabalho, “Colombo” (1892), dedicado ao quarto centenário do descobrimento da América.

Em 1895 transfere-se para Belém, onde assume a diretoria do conservatório local, numa tentativa do governador Lauro Sodré ajudá-lo financeiramente. Ocupa o cargo por cerca de um ano, vindo a falecer em 116 de setembro de1896.

Foi o mais importante compositor lírico brasileiro e segundo mais encenado no Teatro alla Scala, de Milão, depois apenas de Giuseppe Verdi.

Desde muito jovem demonstrou interesse pela música. Aos 15 já compunha valsas e quadrilhas e aos 18 compôs a Missa de São Sebastião, dedicada ao pai, sem qualquer educação formal, que veio a receber somente a partir dos 23, quando ingressou para o Conservatório de Música do Rio de Janeiro.

Tendo sido escolhido por cindo anos consecutivos como o melhor aluno do conservatório e com uma ópera na bagagem (A Noite do Castelo), que lhe valeu a Imperial Ordem da Rosa, concedida pelo Imperador D. Pedro II, recebeu uma bolsa de estudos para se aperfeiçoar em Milão, para onde se transferiu em 8 de novembro de 1863.

Três anos depois, tutoreado pelo compositor Lauro Rossi, que ficou encantado com o aluno, recebe o título de mestre e compositor.

Em 19 de março de 1870 estreia no Teatro alla Scala a ópera “O Guarani”, baseada no romance do escritor José de Alencar e que o imortalizou e o Brasil no mapa cultural europeu.

A ESPLANADA DO TEATRO

O MONUMENTO EM HOMENAGEM A

ANTONIO CARLOS GOMES

A praça foi concebida desde o início com um chafariz instalado na parte mais elevada da encosta, alamedas sinuosas que desciam em direção ao vale e uma fileira de palmeiras que permanecem até hoje, salvo algumas que tiveram que ser removidas ao ser construído o atual Viaduto do Chá, inaugurado em 1938, em substituição à estrutura de madeira e ferro datada de 1892, quando ainda circulavam pela cidade, de apenas 250 mil habitantes, alguns poucos transeuntes, charretes e um ou outro bonde elétrico.

Os jornais da época registram que na noite de inauguração do teatro(16/09/1911), um grande congestionamento de 300 veículos tomou conta do local e que muitos dos convidados só conseguiram adentrar no edifício às dez horas da noite.

Para a inauguração do palco lírico, construído com todas as exigências de luxo, elegância, acústica e segurança, conforme descrito no edital de concorrência pública da época, foi escolhida a peça “O Guarani”, de Antonio Carlos Gomes, mais importante compositor brasileiro de óperas.

A urbanização da área não se restringiu à construção do viaduto, do teatro e da esplanada adjacente. Na verdade, essas alterações promoveram uma grande valorização nos terrenos da região que, nos anos seguintes, passaram a ser palco de um sem número de novas construções, tanto em torno do teatro, como mais além do vale, onde hoje fica a Rua Líbero Badaró, que em 1924 daria lugar ao primeiro arranha-céu de São Paulo, com doze andares e cinquenta metros de altura.

A própria Esplanada do Teatro passou por alterações em seu projeto inicial para receber um conjunto escultórico em homenagem a Carlos Gomes, o que ocorreu somente em 1922, muito embora já se falasse no assunto antes mesmo da inauguração do teatro.

Os anais da Câmara Municipal de São Paulo de 1908 relatam a existência de um projeto para homenagear o compositor com uma estátua em praça pública que, no ano seguinte, foi levado adiante por iniciativa do Maestro Luiz Chiafarelli e de Gelásio Pimenta, jornalista e professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Formou-se, então, uma comissão para arrecadar fundos para a execução da obra, encabeçada por figuras da comunidade italiana radicada na cidade e que incluíam os Condes Francesco Matarazzo e Alexandre Siciliano, destacados industriais da época.

Não se sabe o porquê, mas a execução da obra deu-se mais de uma década depois. De qualquer modo, para os italianos radicados em São Paulo, a homenagem a Carlos Gomes foi uma excelente oportunidade para que também prestassem homenagem a cidade e o Brasil por ocasião das comemorações pelo primeiro centenário da independência do país.

O escultor italiano Luigi Brizzollara (Chiavari, 1868 – Gênova, 1937) foi contratado em 1920 para a execução da obra, realizada em mármore de Carrara, bronze e granito rosa. A colônia italiana contribuiu com metade dos custos e os governo do Estado e da cidade de São Paulo com a outra metade.

A parte que cabia à prefeitura, necessária para as obras de adaptação do local e de implantação do monumento, avaliada em sessenta e cinco contos e sessenta e um mil e quintos reais, conforme orçamento apresentado por Ramos de Azevedo, foi autorizada pela lei n° 2516 de 7 de agosto de 1922, assinada pelo prefeito Firmino Moraes Pinto.

Em 1957, o prefeito Adhemar de Barros recebeu a escritora italiana Mercedes La Valle, que lhe entregou um frasco com água da Fontana di Trevi, de Roma. Durante cerimônia no Monumento a Carlos Gomes, o prefeito despejou a água na fonte, como num ato de batismo, dando-lhe o nome de Fonte dos Desejos.

Composto por alegorias e estátuas de personagens das óperas mais importantes de Carlos Gomes, o monumento forma, com o Theatro Municipal, um conjunto harmônico e grandioso.

No alto, em destaque, está a estátua em bronze do compositor, ladeada pelas alegorias à Música e à Poesia, esculpidas em mármore Carrara. Abaixo, no centro da fonte, um grupo escultórico denominado Glória, formado por uma figura feminina – a República – sobre a esfera celeste com a inscrição positivista “Ordem e Progresso”, é conduzido por um conjunto de três cavalos alados e com nadadeiras, que jorram água pelas narinas.

Em nível intermediário das escadarias, encontram-se as estátuas de Lo Schiavo (ópera de 1887) e de Maria Tudor (ópera de 1879). Junto ao guarda-corpo das escadarias, no seu ponto mais baixo, estão Fosca (ópera de 1873) e o Condor de 1891.

A estátua de Condor amolda-se à extremidade inferior do balaústre da escadaria. Quem desce a escadaria tem a impressão de que Condor lhe estende a mão, como num cumprimento. De tanto ser tocado, o bronze perdeu a pátina e São Paulo ganhou uma lenda: em visita à capital paulista, o viajante que tocar um dos dedos de Condor encontrará a sorte. Em respeito à tradição popular, restauradores do DPH – Departamento do Patrimônio Histórico optaram por não recompor a pátina da mão de Condor durante a restauração executada em 2001.

As estátuas de Salvatore Rosa (ópera de 1874) e do índio Peri, personagem da ópera O Guarani (1870) estão nos degraus à frente da fonte.

Os grupos escultóricos Itália e Estados Unidos do Brasil estão posicionados nas extremidades do conjunto e em primeiro plano. Itália é representada pela figura de uma mulher ajoelhada, com uma espada na mão direita e apoiando a mão esquerda sobre uma estatueta da Vitória de Samotrácia, que, por sua vez, é sustentada pelo gênio das Belas Artes – um homem sentado aos pés de Itália. Estados Unidos do Brasil traz uma mulher em pé, com a bandeira do Brasil na mão esquerda. Um homem, representando o povo, se ajoelha e beija seus pés.

Luigi Brizzolara

(Chiavari,1868– Gênova,1937)

Dedicado à arte da escultura desde jovem, transfere-se a Gênova com cerca de vinte anos, onde ingressa na Academia Lígure de Belas Artes e tem modo de aperfeiçoar sua técnica sob os cuidados do escultor Giovanni Scanzi, de grande renome na época.

Realizou em diversas cidades italianas um grandes números de obras fúnebres, igrejas e monumentos públicos. Em 1907, em conjunto com o arquiteto Giuseppe Morelli, ganha um concurso para a construção de um monumento em Buenos Aires para comemorar o centenário da independência, (25 de maio de 1910).

Em 1920, transfere-se a São Paulo, onde participa do concurso para a realização do monumento em comemoração ao centenário da independência do Brasil e instalado no Parque da Independência, localizado na zona sudeste da capital. Brizzolara, entretanto, fica com o segundo lugar, atrás de outros italianos: Ettore Ximenes e Manfredo Manfredi.

Antes de retornar para a Itália, permanece em São  Paulo, onde realiza diversas obras, que incluem a estátua dedicada a Fernão Dias Paes, localizada  em frente  ao Parque do Trianon, na

Avenida Paulista, as estátuas de Raposo Tavares e Fernão Dias localizadas no interior do Museu Paulista, o túmulo da família Matarazzo, localizado no Cemitério da Consolação e diversas outras obras.

Durante sua permanência em São Paulo, é contratado pela colônia italiana local para o projeto e realização de um monumento em homenagem ao compositor Carlos Gomes, oferecido como presente à cidade no ano da comemoração dos 100 anos de Independência do Brasil.

O monumento foi inaugurado em 12 de outubro de 1922 com grande pompa. A estátua de Carlos Gomes destaca-se num amplo pedestal colocado na parte superior do conjunto, logo acima de uma fonte que representa o oceano, com um grupo de cavalos marinhos que levam a glória do Brasil através dos mares. Diversas estátuas, realizadas em bronze e representando personagens de composições de Carlos Gomes, completam a obra.

Retona a Chiavari em 1928, onde continua sua carreira, que se encerra em 11 de abril de 1937, em Gênova, onde vem a falecer.

PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO

Em 1928, após a morte do arquiteto-engenheiro que transformou São Paulo numa das mais europeias cidades das Américas, decide-se dar à Esplanada do Teatro o nome de Praça Ramos de Azevedo, mudança que está longe de ser a última que o local presenciou nos seus 106 anos de idade, da construção de arranha-céus ao alargamento de ruas, da ascensão à derrocada de empresas, sem jamais deixar de ser palco de grandes manifestações da vida cultural e política dos paulistanos.

E foi exatamente por causa de uma dessas manifestações que a praça ganhou, em 1930, um monumento erigido para homenagear a figura de Rui Barbosa.

A obra, do escultor José Cuccé, é um tributo do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a um de seus mais ilustres alunos. Realizada em bronze, com base de granito rosa, a peça representa o jurista e orador vestindo uma toga e empunhando uma pena e um livro, suas ferramentas de trabalho. Foi colocado no exato local em que o insigne advogado plantou uma árvore na época em era candidato à Presidência da República, cargo que jamais ocupou. Interessante notar que ao seu lado, nessa representação, estão dispostos uma espada, símbolo da justiça, e uma águia, em referência ao apelido de Águia de Haia, que ganhou do Barão do Rio Branco, ministro das relações exteriores da época.

O RESTAURO

Quase cem anos depois de sua inauguração, o monumento em homenagem a Carlos Gomes, bem como o que homenageia Rui Barbosa, serão inteiramente restaurados e todo o entorno da praça será revitalizado, ganhando nova iluminação, refazimento dos jardins e calçamento das alamedas, instalação de sistema de monitoramento por câmaras com reconhecimento facial e de áudio/vídeo que transformará o espaço numa sala de cinema a céu aberto.

Logo ali, do outro lado do vale do Anhangabaú, numa pequena praça encravada entre os dois edifícios Prates, também será restaurado o monumento que homenageia Giuseppe Verdi. A obra, realizada em bronze e granito, é de autoria de Amedeo Zani, italiano natural de Rovigo,  cidade do nordeste da Itália, e que, entre idas e vindas, realizou extensa obra no Brasil, tendo inclusive ensinado desenho, pintura e escultura  no Liceu de Artes de Ofícios, a pedido de Ramos de Azevedo, um dos fundadores da instituição.

 Também é de sua autoria o Monumento à Glória de São Paulo, localizado no Pátio do Colégio, na região central da cidade.

O monumento em homenagem ao compositor italiano, alocado em 1921 na Praça Verdi, localizada em frente ao Edifício Sede dos Correios, foi transferido para a atual localização em 1948.

O trabalho de restauro dos conjuntos escultóricos e a revitalização da Praça Ramos mais uma vez envolve um grupo de empresários e representantes da comunidade italiana de São Paulo que, por meio de contribuições financeiras ou produtos e serviços desenvolvidos pelas mesmas, trarão de volta a um dos principais cartões postais da cidade o brilho dos primeiros anos.

A reinauguração está prevista para o dia 16 de dezembro e uma grande festa está sendo preparada para a ocasião.

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    OPROJETOPRAÇAIMIGRANTEITALIANOPRAÇACIDADEDEMILÃOPRAÇARAMOSDEAZEVEDOPATROCINADORESGALERIADEIMAGENSSALADEIMPRENSACONTATO

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PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO
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PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO

INAUGURAÇÃO EM 16 DEZ 2017

ESCULTURAS

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A VIRADA DO SÉCULO NA

VILA DE SÃO PAULO DE PIRATININGA

A virada do século XIX para o século XX trouxe para a acanhada Vila de São Paulo de Piratininga ares de modernidade que impulsionaram seu desenvolvimento econômico ao ponto de tornarem a terra da garoa numa das maiores cidades do mundo.

Nesse contexto, destaca-se a transição da monarquia de base escravocrata para a república baseada no trabalho assalariado, que estimulou a vinda para a cidade de diversas ondas migratórias, as quais trouxeram consigo não apenas recursos financeiros, mas também mão-de-obra especializada.

De início, essa nova força de trabalho é ocupada prevalentemente nas plantações de café para, aos poucos, ser empregada na florescente indústria que viria a se tornar a verdadeira vocação do Estado de São Paulo e, em particular, de sua capital.

Esse processo estimula os anseios da emergente burguesia da época por uma cidade de concepção europeia, que se materializa pouco a pouco nas primeiras décadas do novo século em edifícios públicos, residências, parques, viadutos e toda sorte de intervenções urbanísticas.

UM ENGENHEIRO-ARQUITETO

E MUITOS ARTÍFICES

Figura chave a liderar essa transformação, o escritório do arquiteto-engenheiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo é responsável por grande parte dessas obras, fazendo-se valer de pessoal altamente qualificado e de apurado senso artístico, entre pintores, escultores, decoradores, entalhados e outros artífices cuidadosamente garimpados nessa massa migratória, em que se destacam os inúmeros italianos que fizeram de São Paulo a maior cidade italiana fora de seu país.

Entre suas obras, destaca-se a construção do Teatro Municipal, cujo projeto pertencia a Claudio Rossi, arquiteto e cenógrafo natural de Capri, paradisíaca ilha localizada no sul da Itália, e com desenhos de Domiziano Rossi, outro italiano e arquiteto, natural de Gênova.

A construção do teatro de óperas no alto do Morro do Chá, como era conhecida a área ocupada pela chácara da Baronesa de Itu, onde existiam plantações da erva, marca a expansão do centro histórico para além do Ribeirão do Anhangabaú, iniciada com a construção de um viaduto (do Chá) cerca de duas décadas antes.

O projeto, vinculado à urbanização do Vale do Anhangabaú, previa que toda a área lateral do edifício, voltada para o vale, fosse ocupada por uma grande esplanada, construída na encosta do morro e pensada para ser uma extensão natural do teatro.

Até a inauguração do teatro, em 1911, a área escarpada que deu lugar à praça, que passou a ser chamada de Esplanada do Teatro, era ocupada por um casario colonial disposto de maneira desorganizada, tal qual um cortiço.

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836 – Belém, 1896)

O sucesso de “O Guarani” repete-se no Rio de Janeiro, por ocasião das festividades de comemoração do aniversário do imperador, em 2 de dezembro de 1870, levando o compositor a grande emoção e consagração.

Em 1871, retorna a Milão, onde se casa e desenvolve extensa obra que inclui as composições Fosca (1873), Salvador Rosa (1874) e Maria Tudor (1879).

A partir de 1882, passa a viver entre a Itália e o Brasil, onde, em 1887, apresenta a peça “Lo Schiavo”, em homenagem à Princesa Isabel.

Com a proclamação da república, perde o apoio dos governantes e retorna a Milão, onde estreia a peça “O Condor” (1891).

Doente e em dificuldades financeiras, compõe seu último trabalho, “Colombo” (1892), dedicado ao quarto centenário do descobrimento da América.

Em 1895 transfere-se para Belém, onde assume a diretoria do conservatório local, numa tentativa do governador Lauro Sodré ajudá-lo financeiramente. Ocupa o cargo por cerca de um ano, vindo a falecer em 116 de setembro de1896.

Foi o mais importante compositor lírico brasileiro e segundo mais encenado no Teatro alla Scala, de Milão, depois apenas de Giuseppe Verdi.

Desde muito jovem demonstrou interesse pela música. Aos 15 já compunha valsas e quadrilhas e aos 18 compôs a Missa de São Sebastião, dedicada ao pai, sem qualquer educação formal, que veio a receber somente a partir dos 23, quando ingressou para o Conservatório de Música do Rio de Janeiro.

Tendo sido escolhido por cindo anos consecutivos como o melhor aluno do conservatório e com uma ópera na bagagem (A Noite do Castelo), que lhe valeu a Imperial Ordem da Rosa, concedida pelo Imperador D. Pedro II, recebeu uma bolsa de estudos para se aperfeiçoar em Milão, para onde se transferiu em 8 de novembro de 1863.

Três anos depois, tutoreado pelo compositor Lauro Rossi, que ficou encantado com o aluno, recebe o título de mestre e compositor.

Em 19 de março de 1870 estreia no Teatro alla Scala a ópera “O Guarani”, baseada no romance do escritor José de Alencar e que o imortalizou e o Brasil no mapa cultural europeu.

A ESPLANADA DO TEATRO

A praça foi concebida desde o início com um chafariz instalado na parte mais elevada da encosta, alamedas sinuosas que desciam em direção ao vale e uma fileira de palmeiras que permanecem até hoje, salvo algumas que tiveram que ser removidas ao ser construído o atual Viaduto do Chá, inaugurado em 1938, em substituição à estrutura de madeira e ferro datada de 1892, quando ainda circulavam pela cidade, de apenas 250 mil habitantes, alguns poucos transeuntes, charretes e um ou outro bonde elétrico.

Os jornais da época registram que na noite de inauguração do teatro(16/09/1911), um grande congestionamento de 300 veículos tomou conta do local e que muitos dos convidados só conseguiram adentrar no edifício às dez horas da noite.

Para a inauguração do palco lírico, construído com todas as exigências de luxo, elegância, acústica e segurança, conforme descrito no edital de concorrência pública da época, foi escolhida a peça “O Guarani”, de Antonio Carlos Gomes, mais importante compositor brasileiro de óperas.

A urbanização da área não se restringiu à construção do viaduto, do teatro e da esplanada adjacente. Na verdade, essas alterações promoveram uma grande valorização nos terrenos da região que, nos anos seguintes, passaram a ser palco de um sem número de novas construções, tanto em torno do teatro, como mais além do vale, onde hoje fica a Rua Líbero Badaró, que em 1924 daria lugar ao primeiro arranha-céu de São Paulo, com doze andares e cinquenta metros de altura.

O MONUMENTO EM HOMENAGEM A

ANTONIO CARLOS GOMES

A própria Esplanada do Teatro passou por alterações em seu projeto inicial para receber um conjunto escultórico em homenagem a Carlos Gomes, o que ocorreu somente em 1922, muito embora já se falasse no assunto antes mesmo da inauguração do teatro.

Os anais da Câmara Municipal de São Paulo de 1908 relatam a existência de um projeto para homenagear o compositor com uma estátua em praça pública que, no ano seguinte, foi levado adiante por iniciativa do Maestro Luiz Chiafarelli e de Gelásio Pimenta, jornalista e professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Formou-se, então, uma comissão para arrecadar fundos para a execução da obra, encabeçada por figuras da comunidade italiana radicada na cidade e que incluíam os Condes Francesco Matarazzo e Alexandre Siciliano, destacados industriais da época.

Não se sabe o porquê, mas a execução da obra deu-se mais de uma década depois. De qualquer modo, para os italianos radicados em São Paulo, a homenagem a Carlos Gomes foi uma excelente oportunidade para que também prestassem homenagem a cidade e o Brasil por ocasião das comemorações pelo primeiro centenário da independência do país.

O escultor italiano Luigi Brizzollara (Chiavari, 1868 – Gênova, 1937) foi contratado em 1920 para a execução da obra, realizada em mármore de Carrara, bronze e granito rosa. A colônia italiana contribuiu com metade dos custos e os governo do Estado e da cidade de São Paulo com a outra metade.

A parte que cabia à prefeitura, necessária para as obras de adaptação do local e de implantação do monumento, avaliada em sessenta e cinco contos e sessenta e um mil e quintos reais, conforme orçamento apresentado por Ramos de Azevedo, foi autorizada pela lei n° 2516 de 7 de agosto de 1922, assinada pelo prefeito Firmino Moraes Pinto.

Em nível intermediário das escadarias, encontram-se as estátuas de Lo Schiavo (ópera de 1887) e de Maria Tudor (ópera de 1879). Junto ao guarda-corpo das escadarias, no seu ponto mais baixo, estão Fosca (ópera de 1873) e o Condor de 1891.

A estátua de Condor amolda-se à extremidade inferior do balaústre da escadaria. Quem desce a escadaria tem a impressão de que Condor lhe estende a mão, como num cumprimento. De tanto ser tocado, o bronze perdeu a pátina e São Paulo ganhou uma lenda: em visita à capital paulista, o viajante que tocar um dos dedos de Condor encontrará a sorte. Em respeito à tradição popular, restauradores do DPH – Departamento do Patrimônio Histórico optaram por não recompor a pátina da mão de Condor durante a restauração executada em 2001.

As estátuas de Salvatore Rosa (ópera de 1874) e do índio Peri, personagem da ópera O Guarani (1870) estão nos degraus à frente da fonte.

Os grupos escultóricos Itália e Estados Unidos do Brasil estão posicionados nas extremidades do conjunto e em primeiro plano. Itália é representada pela figura de uma mulher ajoelhada, com uma espada na mão direita e apoiando a mão esquerda sobre uma estatueta da Vitória de Samotrácia, que, por sua vez, é sustentada pelo gênio das Belas Artes – um homem sentado aos pés de Itália. Estados Unidos do Brasil traz uma mulher em pé, com a bandeira do Brasil na mão esquerda. Um homem, representando o povo, se ajoelha e beija seus pés.

Em 1957, o prefeito Adhemar de Barros recebeu a escritora italiana Mercedes La Valle, que lhe entregou um frasco com água da Fontana di Trevi, de Roma. Durante cerimônia no Monumento a Carlos Gomes, o prefeito despejou a água na fonte, como num ato de batismo, dando-lhe o nome de Fonte dos Desejos.

Composto por alegorias e estátuas de personagens das óperas mais importantes de Carlos Gomes, o monumento forma, com o Theatro Municipal, um conjunto harmônico e grandioso.

No alto, em destaque, está a estátua em bronze do compositor, ladeada pelas alegorias à Música e à Poesia, esculpidas em mármore Carrara. Abaixo, no centro da fonte, um grupo escultórico denominado Glória, formado por uma figura feminina – a República – sobre a esfera celeste com a inscrição positivista “Ordem e Progresso”, é conduzido por um conjunto de três cavalos alados e com nadadeiras, que jorram água pelas narinas.

Luigi Brizzolara

(Chiavari,1868– Gênova,1937)

Dedicado à arte da escultura desde jovem, transfere-se a Gênova com cerca de vinte anos, onde ingressa na Academia Lígure de Belas Artes e tem modo de aperfeiçoar sua técnica sob os cuidados do escultor Giovanni Scanzi, de grande renome na época.

Realizou em diversas cidades italianas um grandes números de obras fúnebres, igrejas e monumentos públicos. Em 1907, em conjunto com o arquiteto Giuseppe Morelli, ganha um concurso para a construção de um monumento em Buenos Aires para comemorar o centenário da independência, (25 de maio de 1910).

Em 1920, transfere-se a São Paulo, onde participa do concurso para a realização do monumento em comemoração ao centenário da independência do Brasil e instalado no Parque da Independência, localizado na zona sudeste da capital. Brizzolara, entretanto, fica com o segundo lugar, atrás de outros italianos: Ettore Ximenes e Manfredo Manfredi.

Antes de retornar para a Itália, permanece em São  Paulo, onde realiza diversas obras, que incluem a estátua dedicada a Fernão Dias Paes, localizada  em frente  ao Parque do Trianon, na Avenida Paulista, as estátuas de Raposo Tavares e Fernão Dias localizadas no interior do Museu Paulista, o túmulo da família Matarazzo, localizado no Cemitério da Consolação e diversas outras obras.

Durante sua permanência em São Paulo, é contratado pela colônia italiana local para o projeto e realização de um monumento em homenagem ao compositor Carlos Gomes, oferecido como presente à cidade no ano da comemoração dos 100 anos de Independência do Brasil.

O monumento foi inaugurado em 12 de outubro de 1922 com grande pompa. A estátua de Carlos Gomes destaca-se num amplo pedestal colocado na parte superior do conjunto, logo acima de uma fonte que representa o oceano, com um grupo de cavalos marinhos que levam a glória do Brasil através dos mares. Diversas estátuas, realizadas em bronze e representando personagens de composições de Carlos Gomes, completam a obra.

Retona a Chiavari em 1928, onde continua sua carreira, que se encerra em 11 de abril de 1937, em Gênova, onde vem a falecer.

PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO

Em 1928, após a morte do arquiteto-engenheiro que transformou São Paulo numa das mais europeias cidades das Américas, decide-se dar à Esplanada do Teatro o nome de Praça Ramos de Azevedo, mudança que está longe de ser a última que o local presenciou nos seus 106 anos de idade, da construção de arranha-céus ao alargamento de ruas, da ascensão à derrocada de empresas, sem jamais deixar de ser palco de grandes manifestações da vida cultural e política dos paulistanos.

E foi exatamente por causa de uma dessas manifestações que a praça ganhou, em 1930, um monumento erigido para homenagear a figura de Rui Barbosa.

A obra, do escultor José Cuccé, é um tributo do Centro Acadêmico XI de Agosto, da
Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a um de seus mais ilustres alunos. Realizada em bronze, com base de granito rosa, a peça representa o jurista e orador vestindo uma toga e empunhando uma pena e um livro, suas ferramentas de trabalho. Foi colocado no exato local em que o insigne advogado plantou uma árvore na época em era candidato à Presidência da República, cargo que jamais ocupou. Interessante notar que ao seu lado, nessa representação, estão dispostos uma espada, símbolo da justiça, e uma águia, em referência ao apelido de Águia de Haia, que ganhou do Barão do Rio Branco, ministro das relações exteriores da época.

O RESTAURO

Quase cem anos depois de sua inauguração, o monumento em homenagem a Carlos Gomes, bem como o que homenageia Rui Barbosa, serão inteiramente restaurados e todo o entorno da praça será revitalizado, ganhando nova iluminação, refazimento dos jardins e calçamento das alamedas, instalação de sistema de monitoramento por câmaras com reconhecimento facial e de áudio/vídeo que transformará o espaço numa sala de cinema a céu aberto.

Logo ali, do outro lado do vale do Anhangabaú, numa pequena praça encravada entre os dois edifícios Prates, também será restaurado o monumento que homenageia Giuseppe Verdi. A obra, realizada em bronze e granito, é de autoria de Amedeo Zani, italiano natural de Rovigo,  cidade do nordeste da Itália, e que, entre idas e vindas, realizou extensa obra no Brasil, tendo inclusive ensinado desenho, pintura e escultura no Liceu de Artes de Ofícios, a pedido de Ramos de Azevedo, um dos fundadores da instituição. Também é de sua autoria o Monumento à Glória de São Paulo, localizado no Pátio do Colégio, na região central da cidade.

O monumento em homenagem ao compositor italiano, alocado em 1921 na Praça Verdi, localizada em frente ao Edifício Sede dos Correios, foi transferido para a atual localização em 1948.

O trabalho de restauro dos conjuntos escultóricos e a revitalização da Praça Ramos mais uma vez envolve um grupo de empresários e representantes da comunidade italiana de São Paulo que, por meio de contribuições financeiras ou produtos e serviços desenvolvidos pelas mesmas, trarão de volta a um dos principais cartões postais da cidade o brilho dos primeiros anos.

A reinauguração está prevista para o dia 16 de dezembro e uma grande festa está sendo preparada para a ocasião.